sábado, 11 de julho de 2009

A arte de saber cuidar!

O cuidado é a verdadeira essência do ser humano, ele forma a consciência, se mostra em nossas experiências e molda a nossa prática. Não existe mais cuidado hoje nas realizações dos seres humanos, e sem ele deixamos de ser humanos. A palavra cuidado vem do latim cura, derivada do verbo cogitar, pensar, colocar atenção, sendo assim, o cuidado pode provocar atenção, inquietação e responsabilidade. O cuidado deve ser um companheiro permanente do ser humano. O trabalho é necessário na vida do homem, mas antigamente o trabalho era mais interação do que intervenção, pois o ser humano tinha veneração diante da natureza, hoje, mais e mais o trabalho é feito por máquinas, computadores, robôs que substituem a força do trabalho humano. No centro de tudo se coloca o ser humano, dando origem ao antropocentrismo, ele instaura uma atitude centrada no ser humano e as coisas têm sentido somente na medida em que a ele se ordenam e satisfazem seus desejos; só que o antropocentrismo desconhece as manifestações do homem, sua capacidade de sentir, pensar, amar e de venerar por nós e em nós. A centralidade não pode ser ocupada pela razão e sim pelo sentimento, permitindo ao ser humano viver a experiência fundamental do valor, daquilo que tem importância e definitivamente conta. Cuidar das coisas significa acolhe-las, respeita-las, funda as relações, estabelecendo todas as coisas. O grande desafio do ser humano é combinar trabalho com cuidado, atualmente o trabalho não é mais relacionado com a natureza e sim com o capital, gerando materialidade e deixando de lado a espiritualidade. A força de trabalho do ser humano está sendo vendida e explorada, estando voltada para a capacidade de produção e consumo, perdeu-se o ser de relações ilimitadas, ser de criatividade, de ternura, de cuidado, portador de um projeto sagrado e infinito. O modo de ser no mundo principalmente o trabalho pode destruir o planeta, por isso devemos resgatar o modo de ser cuidado, pois há muito nos seres humanos que não se encontra nas máquinas, como o sentimento, capacidade de emocionar-se, de afetar e sentir-se afetado, um computador e um robô não tem condições para cuidar do meio ambiente, de chorar pelo outro, ficar feliz pelo amigo, pois o computador não tem coração. Não devemos trabalhar somente pelo dinheiro, e sim por prazer, estar com pessoas que você à ama, ver o trabalho como uma forma de saúde e conhecimento. È o sentimento que nos une às coisas e nos envolve com as pessoas, é ele que torna pessoas, coisas e situações importantes para nós, esse sentimento profundo se chama cuidado, é a força que continuamente faz surgir o homem, foi com cuidado que fez surgir o homem. Temos que conceder o direito de cidadania à nossa capacidade de sentir o outro, de ter compaixão à todos que sofrem, humanos e não humanos, obedecendo a lógica do coração, da gentileza do que a lógica da conquista e do uso utilitário das coisas. Quem ama cuida, vamos saber cuidar!

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